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Morre o guardião da obra de Gilberto Freyre

 
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Fernando de Mello Freyre, filho do antropólogo Gilberto Freyre, morreu quando era submetido a um cirurgia para corrigir problema no coração

   O filho do antropólogo Gilberto Freyre, Fernando de Mello Freyre, morreu no último dia 28, por volta das 15h30, quando era submetido a um cirurgia para corrigir um problema de desfibrilação da artéria aorta. Fernando, 62 anos, deixa mulher, Cristina, três filhos, Gilberto, Fernando e Kika, e uma irmã, Sônia. Ele estava bem até a noite de quarta-feira, quando foi internado com uma hemorragia interna, no hospital Santa Joana. Incialmente, os médicos pensaram que o problema era devido a um aneurisma, mas, depois, descobriu-se a desfibrilação, que não foi solucionada numa primeira intervenção cirúrgica, sendo necessário o segundo procedimento, quando a situação foi agravada e se tornou irreversível.

   Fernando Freyre era presidente da Fundação Gilberto Freyre (FGF), ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco, instituição que dirigiu por mais de 30 anos, e ex-presidente do Conselho Estadual de Cultura, sendo recentemente sucedido pelo poeta e professor universitário Marcus Accioly. Ele também ocupava uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras, recebendo o título de imortal logo após a morte de seu pai. Hoje, por causa do velório e do enterro, não há expediente na Fundaj.

   Guardião da obra de Gilberto Freyre, Fernando dedicou toda a sua vida profissional a zelar pela imagem e obra do pai. Formado em direito, ele nunca chegou a investir com afinco nesse campo, preferindo trabalhar como homem público, à frente da Fundação Joaquim Nabuco, que ele tentou aproximar o mais possível do pensamento interdisciplinar de seu pai, com um instituto voltado para a Tropicologia, por exemplo. Emocionado, o escritor Edson Nery da Fonseca, que foi seu padrinho de crisma, recorda que o afilhado chegou a afirmar que cuidava da obra de Gilberto Freyre porque a tinha como a uma irmã.

   Durante sua gestão, a Fundação Joaquim Nabuco enfrentou diversas crises, passando por governos de tendências políticas diferentes. O diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Moacir dos Anjos, que trabalhou com Freyre na Fundação, lembra que o ex-presidente conseguiu manter a instituição estável durante essas intempéries, evitando que o trabalho dos pesquisadores da Fundação sofresse alterações por motivações políticas. Foi também durante a gestão de Freyre que a Fundação criou o Instituto de Cultura, no Derby.

   Apesar disso, Freyre deixou a institução no alvorecer do Governo Lula, sendo substituído por Fernando Lyra, atual presidente da casa. Algumas pessoas próximas a ele comentam que ele estava muito desgostoso por não ter conseguido se eleger como vice-presidente da Associação dos Funcionários da Fundação Joaquim Nabuco, em disputa ocorrida há cerca de um mês. Esse episódio, entretanto, não teria tirado seu ânimo, já que Freyre estava muito entusiasmado com o lançamento da 50ª edição de Casa Grande & Senzala, uma das maiores obras de seu pai. Ultimamente, ele vinha se dedicando bastante para que a edição tivesse uma qualidade irretocável e que o lançamento tivesse boa repercussão nacional. Já na FGF, sua atuação tinha duas prioridades: estreitar os laços com fundações culturais portuguesas e aumentar as verbas da instituição.

   Homem de temperamento forte, que se exaltava na defesa de seus pontos de vista no campo profissional, Fernando Freyre era terno com os seus, vivia muito bem com sua mulher e cuidava do futuro profissional dos filhos, encaminhando-os para a produção intelectual. Há dois anos, Fernando Freyre se envolveu numa certa polêmica ao deixar a presidência da Fundaj.

JC Online)

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