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Poeta e pintor pernambucano inaugura exposição no Museu do Estado sobre a Série Tantra, baseada no budismo, que desenvolve desde a década de 70 PAULO SÉRGIO SCARPA O pintor e poeta Montez Magno (1934) abre hoje às 20h no Museu do Estado a mostra de pinturas e objetos da Série Tantra, com 94 peças, iniciada em 1972, em Olinda, quando o artista comprou dois livros sobre Arte Tantra, de Philip Rawson e Ajit Mojerkeet. E ficou entusiasmado: descobriu que a arte tantra tem muito a ver com seu trabalho, muito diversificado em conceituação, enfoques e materiais usados. “Houve uma empatia imediata”, resume o artista. Resultado: a série está sendo feita nos últimos 34 anos e está inédita até agora, apesar de algumas peças já exibidas, como um grande mandala que esteve desde 1983 numa parede do Mosteiro de São Bento, em Olinda. “Sou um inquieto formal”, se autodefine o artista, “aquele que não pára de pensar, de criar”. Assim como o alemão surrealista Max Ernst (1891-1976).
Nascido em Timbaúba (Zona da Mata Norte), criado no Recife, Montez Magno é um dos artistas que “mais apostam em riscos e desafios”, porque “não separa conhecimento e arte, labor manual e filosofia”, escreve no catálogo o poeta, tradutor e professor Marco Lucchesi. “Série Tantra guarda um quê de misterioso e desafiador, que o eleva das breves discussões para novos e mais belos patamares”, diz. A Série Tantra está disposta nos dois andares do anexo do Museu do Estado, com bom espaço, luminosidade e acústica, o que provocou o artista: a exposição terá música do compositor estoniano Avros Prät, 71 anos, um místico. Embora iniciada formalmente em 1972, cerca de dez trabalhos foram executados em Madri, de “maneira puramente intuitiva”, o que foi considerada por ele, mais tarde, como uma realização tântrica. As obras, então, foram incorporadas à nova série. Montez Magno tem outras 12 séries inéditas, como a Negra, iniciada em 1961, com cerca de 60 obras, a Morandi, iniciada em 1964, com 35 peças, a Fachadas do Nordeste, 31 peças, entre 1996 e 1998. “Não me convidam para expor”, justifica o artista. “Montez Magno apela aos sentidos todos, na melhor fruição que o corpo e o espírito alguma vez em sintonia poderão almejar. E, aqui, o Oriente e o Ocidente são o lugar de cada um, nesta visita ao interior de nós e ao que a nossa cultura e educação forem capazes de intuir e perceber”, sintetiza o pintor e professor da Universidade do Porto, Portugal, Francisco Laranjo. A Série Tantra, porém, não tem prazo para ser encerrada, finalizada, ela prossegue enquanto é exibida. “O seu processo de realização material se dá em tempos diferentes, com intervalos às vezes de vários anos”, conta Magno. E ela é retomada, explica, sempre que surge uma nova idéia. Por isto, a mostra do Museu do Estado tem pequenas, médias e grandes telas, obras feitas em papel, tela e até em couro de porco, retirada de tamborins comprados em Olinda e que se transformaram em pequenos quadros. E objetos espalhados pelo espaço: madeira,pedaços de mármore e pedras de rio. As cores, porém, continuam fortes, mesmo em obras mais escuras, sejam elas pinturas, esculturas ou objetos. “Me permiti a liberdade de criar formas diferentes, variações, mas que nem por isso deixa de ter e preservar o espírito tântrico”, explica. Série Tantra, de Montez Magno – Museu do Estado, Avenida Rui Barbosa. Fone 3426-5943.. De 28 de junho e 23 de julho. Terça a sexta: das 10h as 17h. Sábado e domingo: das 14h as 17h Artista divide seu tempo entre a poesia e as artes plásticas Poeta antes de qualquer coisa, porque começou a escrever antes de pintar. Montez Magno pode ser definido como pintor, escultor, artista intermídia, escritor e ilustrador. Apaixonado por desenho e pintura, estuda entre 1953 e 1966, no Recife. Em 1957, realiza sua primeira exposição individual no Instituto dos Arquitetos do Brasil, de Pernambuco. A partir de 1960, publica artigos e pesquisas sobre arte em jornais brasileiros. Ganha bolsa do Instituto de Cultura Hispânica entre 1963 e 1964, o que lhe permite viajar por vários países da Europa. Com o prêmio recebido no 1º Salão Global do Nordeste, viaja para a Europa e Argélia a estudos em 1975. De volta, leciona escultura na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, ilustra o livro O diabo na noite de Natal, do pernambucano Osman Lins, e vários livros de sua própria autoria.Entre 1970 e 1978, publica os livros de poemas Narkosis e Floemas. Hoje tem quarenta livros publicados, entre eles, Dentro da caixa cinza (1980), Divân de Casa Forte (1985-1991), Notassons: notações musicais e visuais aleatórias (1970-1992. Seu último livro é Câmara escura (2002). O pintor fez exposições individuais no Recife, Salvador, Rio, São Paulo, Madri, Barcelona, Gijón (Espanha) e Rio de Janeiro. e Nova Iorque. |
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