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Música para os 390 anos de São Luís

28/08/2002

Bumba-meu-boi, Maranhão

 

Jacqueline Costa

   Setembro é considerado o melhor mês do ano no Maranhão. Praticamente não chove, os dias são de sol e céu azul, e as noites costumam ser enfeitadas por estrelas. Com o tempo conspirando a favor, São Luís celebrará seu aniversário de 390 anos com um mistura de ritmos e estilos musicais. Entre os dias 7 e 15, o Festival Internacional de Música terá como destaques a Orquestra Filarmônica da Romênia, o grupo argentino Opus Cuatro e o afro-francês Habib Koité, além dos brasileiros Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola e Arthur Moreira Lima, que é responsável pela direção artística do evento. Teatros, praças, praias, bares e restaurantes serão ocupados pelos shows, concertos e workshops. Haverá ainda bailes em praça pública com grupos regionais, como Tambor de Crioula e Banda de Pífanos de Caruaru, e a Orquestra Tabajara. Ao todo, mais de mil artistas se apresentarão nos dias do festival. O objetivo principal do evento é fazer o público circular pelo Centro Histórico da cidade e, ao mesmo tempo, conhecer as demais atrações turísticas.

   A programação incluirá atrações que representam todos os continentes. Serão, pelo menos, quatro apresentações diárias com artistas e grupos de peso internacional. Mas o dia será sempre encerrado com artistas locais.

   A Praça da Praia Grande, o Teatro Arthur Azevedo, o Teatro João do Vale, a Catedral da Sé, a Igreja de Santo Antônio, o Convento das Mercês e a Fonte do Ribeirão estão entre os locais escolhidos para abrigar o festival. Seguindo a tradição das festas folclóricas, o evento se estenderá aos principais bairros da cidade, onde serão montados palcos. No dia 15, a festa de despedida acontecerá na Praia de São Marcos.

   Organizado pela ONG Laborarte e pela prefeitura, que disponibilizou cerca de R$ 2,5 milhões, o festival contará com a música experimental de Hermeto Pascoal e os ritmos comandados por Ed Motta, Alceu Valença, Demônios da Garoa. O som popular do Cirandas da Lia de Itamaracá e do Crioula de Mestre Felipe também estarão presentes.

   — Existe uma musicalidade intrínseca na população da região, com influência de ritmos fortes pela proximidade com a América Central — afirma o diretor executivo do festival e presidente da Laborarte, Nelson de Brito, acrescentando que cerca de 520 grupos se apresentam anualmente em São Luís, em mais de cem espaços diferentes.

(© O Globo On line)


São Luís foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997

   Não foi à toa que a capital do Maranhão foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997. Há muito o que se admirar na cidade. E um bom começo pode ser um passeio pelo Centro Histórico. Entre ruas de pedra, praças, becos e escadarias, há casarões azulejados, mirantes, portais, sacadas rendilhadas em ferro, igrejas, fontes e monumentos.

   O conjunto arquitetônico da cidade é considerado um dos mais significativos de todo o Brasil, com cerca de 3.500 imóveis dos séculos XVIII e XIX, distribuídos principalmente pelos bairros da Praia Grande, Desterro e Portinho.

   As ruas do Centro Histórico mantêm o traçado original do século XVII. Basta começar a caminhar para ser transportado ao passado. Na poética Rua do Sol, o turista se depara com jóias como o Teatro Arthur Azevedo. Inaugurado em 1817, é uma das mais belas casas de espetáculos do país.

   Muitas das fachadas do Centro Histórico são azulejadas. Além da função decorativa, os azulejos vindos de Portugal, França, Bélgica e Alemanha protegiam os imóveis contra a ação das chuvas e dos ventos carregados de salinidade.

   O Convento das Mercês, na Rua da Palma, que teve sua construção iniciada em 1654, merece a inclusão no roteiro. Foi lá que o padre Antônio Vieira proferiu o sermão de São Pedro Nolasco. Perto dali fica o Cafuá das Mercês, um sobrado onde escravos eram vendidos. Hoje, abriga o Museu do Negro e possui réplica do pelourinho que havia no Centro de São Luís. O acervo tem peças de suplício utilizadas durante a escravidão.

   O Palácio dos Leões, na Praça Dom Pedro II, é uma imponente construção com leões de bronze na entrada, trazidos da Escócia. Ao lado fica o Palácio La Ravardiãre, sede da Prefeitura, e mais à frente, a Igreja da Sé, do século XVII.

   Na Rua do Giz, na Praia Grande, funciona o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. Através de seu acervo, em permanente exposição, é revelada toda a riqueza da produção da cultura popular do estado. Podem ser vistos no local indumentárias e adereços das principais manifestações folclóricas do Maranhão, com destaque para o bumba-meu-boi.

   Há também muitas fontes em São Luís. A do Ribeirão, que começou a ser construída em 1796, tem piso revestido de pedras de cantaria. A água jorra de biqueiras de bronze instaladas nas bocas de carrancas esculpidas em pedra. Segundo uma lenda bastante conhecida na cidade, em seu interior habita uma serpente que cresce sem parar, e que destruirá a ilha de São Luís no dia em que a cabeça se encontrar com a cauda.

   A culinária do Maranhão também merece destaque. Provar o arroz de cuxá é quase uma obrigação.

   São Luís é a única capital do país fundada por franceses. Em 1612, Daniel de La Touche, o senhor de La Ravardiãre, construiu o Forte Saint Louis, em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, os franceses foram expulsos pelos portugueses. Mais tarde, vieram os holandeses.

(© O Globo On line)

Calendário

DESTAQUES

DIA 7: Das 19h às 22h, apresentação da Orquestra Filarmônica da Romênia, no Aterro do Bacanga.

DIA 8: Às 18h30m, Opus Cuatro, na Igreja da Sé. Às 20h, Orquestra Filarmônica da Romênia, no Pátio do Convento das Mercês. Às 21h, Alceu Valença. Às 22h, na Praça Nauro Machado, Josias Sobrinho, Zé da Velha e Silvério Pontes, Rita Ribeiro e Tambor de M. Felipe.

DIA 9: Às 12h, no auditório do Convento das Mercês, Eliésio do Acordeon e Banda de Pífanos de Caruaru. Às 20h, no pátio do Convento das Mercês, Opus Cuatro, João Pedro Borges e Chorões. Às 22h, na Praça Nauro Machado, Tutuca, Chalana de Prata, Papete, B.T. Os Tremendões.

DIA 10: Às 12h, Roberto Ricci, Frederic Verité e Josiane Brachet, no auditório do Convento das Mercês. Às 18h30m, Zé da Velha e Silvério Pontes, na Fonte do Ribeirão. Das 19h às 22h, César Nascimento, Nonato Buzar e João Bosco, no Aterro do Bacanga. Às 20h, Orquestra Filarmônica da Romênia, no pátio do Convento das Mercês.

DIA 11: Às 12h, Rodrigo Caracas e Laércio de Freitas, no auditório do Convento das Mercês. Às 18h30m, Ensemble Kordépan, na Igreja da Sé. Às 22h, na Praça Nauro Machado, Rogéryo do Maranhão, Cláudio Pinheiro, Demônios da Garoa, Boi de Axixá.

DIA 12: Às 19h, Paulinho da Viola, no Aterro do Bacanga.

DIA 13: Às 19h, Ed Motta, no Aterro do Bacanga. Das 20h às 22h30m, Orquestra Filarmônica da Romênia, Turíbio Santos e Arthur Moreira Lima, no pátio do Convento das Mercês.

DIA 14: Às 22h, na Praça Nauro Machado, Tião Carvalho, Beto Pereira, Funk como Le Gusta, Boi de Maracanã e Boi Pirilampo.

DIA 15: Das 20h às 22h30m, Laércio de Freitas, Arthur Moreira Lima e Hermeto Pascoal, no pátio do Convento das Mercês. Às 16h, Chico César, na Praia de São Marcos.

INFORMAÇÕES

Festival: Rua Jansen Muller 42, Centro, São Luís. Tel.: (0XX98) 232.2593 e 232.2677. E-mail: festinterslz@elo.com.br.

(© O Globo On line)

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