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Fagner em tempos de retrospectiva

23/11/2002

Fagner repetiu em estúdio algumas faixas do CD ao vivo para poder tocar nas rádios

Cantor lança CD ao vivo e caixa de LPs

Silvio Essinger
Repórter do JB

   Quando parecia que seu período de revisão ia terminar, eis que Raimundo Fagner se prepara mais uma vez para revolver o passado. Esta semana chega às lojas Me leve, segundo disco ao vivo do cantor em menos de três anos (em 2000, saiu o duplo Raimundo Fagner ao vivo, gravado em Fortaleza) e, por sua vez, o terceiro de revisão em menos de cinco anos (em 1998, foi a vez do também duplo Amigos e canções, em que releu composições em duetos).

   Tudo se explica, garante o cantor e compositor cearense: a nova gravação ao vivo (em agosto, no palco carioca do Teatro João Caetano, onde ele fez algumas de suas temporadas mais memoráveis) foi a oportunidade de enfim ter o seu DVD, que será lançado dentro de alguns dias.

   - Naquela vez em Fortaleza, quando fiz o maior show da minha vida, o vídeo ficou horrível, eu aparecia com a cabeça cortada várias vezes. Foi um erro que a própria Sony [sua gravadora]reconheceu - diz ele.

   Relendo, mais uma vez, músicas como Fracasso e Retrovisor, Fagner fará o show desse disco dia 29 no ATL Hall. E depois entra de férias, para depois emendar em mais um projeto de revisão: a edição de uma caixa com sua obra na CBS (atual Sony), coordenada pelo pesquisador e produtor Marcelo Fróes. Estará nela boa parte de sua fase clássica, de discos que vão de Raimundo Fagner (1976) a Fagner (1985), passando por pérolas como Orós (1977, com arranjos de Hermeto Pascoal), todos acrescidos de faixas bônus.

   Marcelo também cuida da reedição do disco de estréia do compositor, Manera fru-fru, manera (1973) - dessa vez, com a inclusão de Canteiros, faixa retirada das edições posteriores do álbum por pressões da família da poetisa Cecília Meirelles (a letra foi tirada de um de seus poemas), que só voltaria ao disco, com grande alarde, no Ao vivo de 2000.

   - Há uma versão mais extensa de Canteiros que também entrará no relançamento -, conta Fagner, que acaba de relançar, por intermédio de sua fundação no Ceará, álbuns do poeta popular Patativa do Assaré.

(© JB Online)

Parceria com Baleiro em 2003
 

   Apesar de o DVD de Me leve ser o produto principal - com 22 músicas, entre as quais sucessos como Guerreiro menino, Jura secreta, Revelação e Deslizes, além de recursos multimídia como letras, discografia e até karaokê -, Fagner não considera o CD mero subproduto. Nele estão músicas inéditas em sua discografia: Festa da natureza (de Patativa e Gereba), Numa sala de reboco (Luiz Gonzaga e José Maurício), Vem viver essa paixão (Pinto do Acordeon) e Você só pensa em grana, esta de Zeca Baleiro, com quem não só ele faz dueto na gravação, como ainda vai fazer um CD conjunto, previsto para o ano que vem.

   O veterano MPBista cearense e o novo MPBista maranhense fizeram recentemente uma turnê conjunta, que passou longe das capitais do Sudeste. E já têm pelo menos cinco músicas inéditas prontas para o CD. Que, segundo Fagner, não terá nenhuma das eletrônicas, fartas no álbum que Zeca lançou este ano, o elogiado Pet shop mundo cão.

   - Disco moderninho, nem pensar! É que o Zeca Baleiro sou eu ontem - diz o compositor, revelando que os letristas Fausto Nilo e José Carlos Capinam serão os mais prováveis parceiros na empreitada da dupla em estúdio.

   Iniciado por baladas, Me leve ganha um andamento mais acelerado, de forró, a partir do meio. Uma decisão de Fagner para que o disco tivesse chances tanto no Sudeste quanto no Nordeste. Pela mesma razão - o rádio -, ele pôs no disco, como faixas bônus, as versões em estúdio das mesmas Festa da natureza, Vem viver essa paixão, Quando chega o verão, Numa sala de reboco e Retrovisor, que já estavam lá ao vivo.

   - Mesmo com todo fogo, as versões ao vivo dificultam a entrada no rádio. As de estúdio têm permanência - explica Fagner.

   A mesma cautela com os meios de comunicação, este amigo e conterrâneo do candidato derrotado à presidência Ciro Gomes (PPS) tem ao falar de política.

   - Lula merecia ganhar, é a reparação da auto-estima do povo brasileiro. Acho que o Ciro estava preparado para ser presidente, mas não para uma campanha presidencial. Ele talvez não imaginasse o que era entrar numa disputa, além de estar mal assessorado. Mas ele não vai cometer os mesmos erros.

(© JB Online)

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